Um passeio pela História…

O século XX ficou marcado como um período de profundas e sucessivas transformações sociais. Palco de duas grandes guerras, a chamada “era dos extremos”, como a ela se referiu o historiador Eric Hobsbawn, fez surgir inúmeros movimentos políticos, éticos e estéticos como reflexo de suas inerentes contradições: por um lado, foi uma época de grandes avanços científicos e tecnológicos; por outro, foi aquela em que mais se assassinaram seres humanos.

É nesse contexto que o cenário artístico europeu do pós-guerra protagoniza uma grande revolução cultural, reivindicando a construção de um novo ethos para a sociedade e a arte.

A partir do fim da II Grande Guerra, os artistas buscaram romper com os ideias modernos de progresso e valores iluministas vigentes até então em prol de uma nova expressividade artística que fosse além do racionalismo.

Para eles, essa expressividade deveria ser pautada nas potências criativas do inconsciente e da subjetividade do artista. Propunham o  experimentalismo entre os estilos e o questionamento da arte em si, indo além dos padrões tradicionais no intuito de aproximar mais o espectador e a obra.

A arte da Pós-Modernidade

Os movimentos estéticos surgidos no seio dessa mudança de paradigma passaram a ser incluídos no que se denominou de “arte contemporânea”, ou “arte pós-moderna”.

“Contemporaneu” é uma palavra de origem latina formado pela junção dos termos “com” e “tempus”, designando o que acontece, ou quem vive, no tempo presente. Contemporâneo é o nosso tempo, e arte contemporânea é a nossa arte.

Conheça abaixo os principais movimentos contemporâneos e as contribuições deixadas por eles para a posteridade:

1. Arte Conceitual

Surgida na transição do modernismo para o pós-modernismo, a arte conceitual englobou artistas que defendiam as ideias e dos conceitos em detrimento do formalismo estético. O principal intuito dos artistas era provocar reflexões no público através do choque e do questionamento. O francês Marcel Duschamp, autor da icônica obra “A Fonte”, é o maior expoente desse movimento.

Arte dadaísta
Fontaine, Marcel Duchamp

2. Expressionismo Abstrato

Essa vanguarda se consolidou nos Estados Unidos e conseguiu unir influências do expressionismo alemão e da arte abstrata para criar uma composição final pautada na livre criação, na espontaneidade e na expressão irrestrita do inconsciente. O pintor estadunidense Jackson Pollock é o maior nome do movimento.

Number 18 - Pollock
Number 18 – Pollock

3. Arte Povera

Surgido na Itália, a “arte pobre” utiliza elementos não convencionais, como lixos e objetos da natureza, para criar obras que despertam no espectador a reflexão sobre a efemeridade da arte, destacando o seu aspecto marginal. Busca a quebra do “glamour”, produzindo uma crítica sobre a sociedade de consumo. Destacou-se principalmente nas instalações e esculturas de Mario Merz.

Wandering Songs Mario Merz
Wandering Songs I, Mario Merz

4. Arte Cinética

Esse movimento rompeu de todas as formas com o conceito de arte, buscando no movimento e na liberdade das instalações a sua grande forma de expressão. Seu destaque foi promover efeitos visuais que brincavam com a percepção do espectador, criando ilusões de ótica através de móbiles e do uso habilidoso de luz e sombra. Preza-se a perspectiva da tridimensionalidade. Alexander Calder foi um grande percursor do estilo.

Standing Mobile 1937 - Alexander Calder
Standing Mobile 1937, Alexander Calder

5. Op Art

Ao lado do cinetismo, a Op Art também se destacou por brincar com a perspectiva do espectador. As obras do movimento são verdadeiras ilusões de ótica, daí o nome “Op”, derivado de “Optical”. Essa vanguarda teve seu apogeu nas obras do artista Victor Vasarely.

O4 NN-2, Victor Vasarely
O4 NN-2, Victor Vasarely

6. Pop Art

A Pop Art surgiu na Inglaterra, mas atingiu sua maior popularidade nas obras do artista estadunidense Andy Warhol. Ficou conhecida como a “arte popular”, e se destacou pelo uso de cores vibrantes e pelo uso de símbolos da cultura de massa, popular, na composição de seu estilo e de sua crítica.

Marilyn Monroe, Andy Warhol
Marilyn Monroe, Andy Warhol

7. Minimalismo

Essa vanguarda se espalhou pelos mais diversos campos estéticos, influenciando principalmente a arquitetura, design, música e desenho industrial até a atualidade. A regra do minimalismo é que “menos é mais”, logo, busca-se a síntese e o retorno ao que é essencial, evitando o desperdício – de materiais, de cores, de formas, de espaços, de traços, o que seja. Sol LeWitt foi uma grande representante do movimento nas artes plásticas.

arte comtemporanea
Wall Drawing #260, Sol Lewitt

8. Hiperrealismo

O hiperrealismo se caracteriza por uma expressão fidedigna da realidade através de um flerte com a imagem fotográfica – o movimento também viria a ser chamado de foto-realismo. Há um rompimento com os ideais minimalistas e abstratos, mas não se trata de um retorno à tradição realista do século XIX, mas sim de uma aventura estética para desafiar os limites entre a arte e os meios fotográficos e digitais. O norte-americano Chuck Close é considerado um dos maiores nomes do estilo.

Kate Moss, Chuck Close
Kate Moss, Chuck Close

9. Street Art

Símbolo máximo da democratização da arte, a arte de rua, também conhecida como arte urbana, rompe com a tradição institucional das galerias e leva a composição artística para os espaços públicos da cidade, ocupando paredes, muros, postes e outros elementos típicos do cenário urbano. O grafite é um dos seus maiores expoentes e o artista inglês Banksy, seu maior representante na atualidade.

Banksy
Banksy

10. Body Art

Para além da performance, a “arte do corpo” é um movimento que atravessa os limites entre o artista e sua obra, transformando o próprio corpo do artista na ferramenta para sua criação. O francês Yves Klein é considerado um grande representante desse estilo.

Untitled Anthropometry, Yves Klein
Untitled Anthropometry, Yves Klein

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Alana Sales

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